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CanalSonora

Apenas olhar é ver menos. Só sentir é ler pouco. Simplesmente escutar é ouvir nada. Com tempo olhar é ver mais. Deixar-se ficar a sentir é ler muito. Atentamente escutar é ouvir o máximo.

CanalSonora

Apenas olhar é ver menos. Só sentir é ler pouco. Simplesmente escutar é ouvir nada. Com tempo olhar é ver mais. Deixar-se ficar a sentir é ler muito. Atentamente escutar é ouvir o máximo.

DÁRIO AGOSTINHO | Tratado dos Corpos Periféricos

Desde 25 de Agosto, a Casa Álvaro de Campos/Tavira expôe, no foyer, 'Tratado dos Corpos Periféricos' de Dário Agostinho. O autor, que publicou o livro  foto | grafias  na CanalSonora, continua a explorar neste trabalho a relação entre fotografia e palavra. Pode ser vista entre as 17 e as 22h, na rua da galeria 9C, até 30 de setembro.

Mais vertentes da acção de DA ~ no blogue 

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Novo Livro de FERNANDO CABRITA

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Fernando Cabrita regressa às edições, neste 2020, com um livro de inéditos na CanalSonora, que recebeu menção honrosa no Prémio Literário João da Silva Correia, 2019. Iniciativa da Câmara Municipal de S. João da Madeira, teve como júris: o ex-ministro da Cultura, escritor, poeta e ficcionista Luís Filipe Castro Mendes, o poeta José Fanha e o editor António Baptista Lopes. Operacionalizado pelos serviços da Biblioteca Municipal de S. João da Madeira, este prémio, tem o nome do escritor e jornalista sanjoanense João da Silva Correia (1896-1973), autor do romance «Unhas Negras».

No seu estilo muito próprio, reconhecível aos seus leitores de sempre, 'Eras o cervo que fugia depois de haver-me ferido' / 'Eras el ciervo que huía tras haberme herido' apresenta uma série de poemas, desta vez mais curtos, mas com a intensidade de  sempre. É um livro deste tempo, cheio de tormenta e ambiguidade, mas pleno de esperança reforçada pela factor humano da amizade e da memória que nos guia para o futuro. 

Esta é uma edição bilingue – português/castelhano -  numa tradução do autor com Joaquín González (Creaturasliterarias).

Fernando Cabrita foi um dos autores que inspirou a imagética, a temática e a liberdade das edições da CanalSonora, com um dos mais importantes livros escritos a Sul - «Visões de Marim» (com António José Ventura), - Prémio Emiliano da Costa,1985. Tem sido um entusiasta admirador e divulgador desta aventura editorial. Nesta colecção publicou: «Ça C’est Ma Riviére» (2015) e «Três Odes» (2017).

BREVEMENTE | CS33

E porque era verão, todos estão às janelas,
ao fresco das sacadas, vizinhas com vizinhas, fogos de outrora
a ver quem passa.
E passamos todos. Todos. Todos.
Passamos todos.

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ANTÓNIO JOSÉ VENTURA | O Tempo a Correr | cs20 ~2016

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Boulevard

 

No centro comercial no inverno

as pessoas andam para lá e para cá

sentam-se nos cafés e restaurantes

como nos quadros de Hopper.

Os collants moldam as pernas das mulheres

frias na distância mas quentes no corpo.

As montras iluminadas com mil luzes

criam uma ilusão vã de paraíso.

Aqui e agora a realidade crua

a vida a preto e branco da cidade.

VAN S.a | Garrafeira Atlântica | cs13 ~2015

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Como  Serge Gainsbourg & Jane Birkin                                                                                  


Trago aqui, emborca ali,
a garrafa roda até ao fim.
Nota a nota, canção a canção, 
lá estamos deitados no colchão.
Disco a disco, cigarro a cigarro, 
se te apanho se te agarro.
Ou tocas tu, ou toco eu, 
ora amas tu mais eu.
Dia-a-dia, de sol a sol
quem pára fica mole.
Noite a noite, de lua a lua 
Ficou-me uma filha sua.

MARCO MACKAAIJ | E Se Não For? | cs11 ~2015

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E se não for                                                                                                                     

 

Depois de vir de uma junta poética  
onde sábios Poetas diagnosticaram
uma pandemia de falsa poesia                                                                                                                              e onde questionaram e procuraram 
a definição oficial da verdadeira, 
de toda a verdadeira e só da verdadeira, 

eu pus-me a pensar cá comigo próprio:   
e se o que tu fazes não for?

Aquilo que te dá tanto trabalho,   
para o qual usas mão e língua também 
numa primeira tentativa de semear prazer;
aquilo depois dos preliminares e de aquecer,  
o esforço principal sobre o corpo   
com subidas e descidas repentinas,  
um grito (ou dois) e a seguir o silêncio;     
aquilo que farias de bom grado 
todas as noites até às tantas, 
se a tua mulher não reclamasse.

Se tudo aquilo não for  
- segundo a definição oficial - 
deixarás de o fazer?

MARÍA LUISA D. BORRALLO | AguasVivas | cs19 ~2016

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TIEMPO ROTO


Si en el azar del caos
atisbas el último respiro
de tu nombre en mis palabras.
Si el grito acalla esta historia
sin fondo ni techo
y el eco atraviesa los gemidos
de un orgasmo en mi garganta.
Es que te mueres amor
por haber dormido el tiempo,
es que perezco en este trance
de descolgar de tu mirada
los días que hemos perdido
sin amarnos.

FERNANDO CABRITA | Sizígia | cs07 ~2014

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Regresso ao jardim das passadas alegrias.

Homem!, gritam. Homem, homem, não caminhe sobre as rosas!

Navegámos a imperturbável fantasia. E éramos o quê?  Eco de opalas?

Um barco na penumbra de ontem?

Uma vida inacabada?

As tuas carícias tangiam, como sempre, o cristal dos ventos.

Havia aves num céu derradeiro.

Please, man, mind the roses. Please!

Creio que morreram já estes prados e estes arvoredos.

Uma voz no silêncio: as rosas! Por favor. As rosas! Como uma liturgia

de promontórios e coisas sem tempo. Las rosas!

Desculpe. Desculpe. Não as tinha visto…

VÍTOR GIL CARDEIRA | Tômbolo | cs14 ~2015

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Passam barcos na minha rua

e o mar tão distante, navios onde espreitam

mulheres de lábios vermelhos. Navios afundados

nos Domingos em que almoçávamos juntos,

abrindo feridas nos telhados repletos de musgo,

ardendo nas veias prenhes de veneno antigo.

Regresso à parede intransponível da memória

e fecho os olhos como cantador de fado,

quero almoçar no regaço da minha avó

e ouvir dizê-la que os meninos que brincam

com fogo fazem xixi na cama. Passam navios

 à minha porta e o mar tão longe trazendo

partículas do Levante aos meus dedos esfacelados

de escarificar as substâncias tóxicas

do passado. Grito aos marinheiros cegos

que se debruçam da amurada, peço-lhes

notícias de tudo o que se esvai por entre

os cabelos tingidos de açafrão e os olhos fedendo

a flor de laranjeira. Não reagem às minhas súplicas

e a proa violenta e esfíngica rasga o alcatrão

da minha rua. É Verão e os cães ladram à Lua

que assoma por detrás do convés, as aves noturnas

semeiam corações ofendidos nas águas ocultas

e as estalactites do sonho escorrem seráficas das sombras

da noite, espíritos deambulando na lama, serão

mágoas de coisa nenhuma , desconhecem  a dolorosa

e infame dor que perpetua as criaturas perdidas

nos lençóis, de onde crescem  excrementos

incandescentes prontos a embalar em conservas,

roçando a paixão. Inventámos alguns dias de felicidade

para lá do mar, pareciam caminhos de luz por onde poderíamos

esconder o que à volta das feridas se acumula nos dias que sangram.

Inventámos as correntes que nos prendem e arrastam sem regresso.

Exangues, mas de sandália frias, tornámo-nos marinheiros

de um mar tão distante que nele o sal fermenta

no vazio da tempestade.

PEDRO JUBILOT | em 'Estado de Arte' - Rádio Ourique

Quinta-feira, 21 de maio, às 21h30, Pedro Jubilot é o autor convidado do programa 'Passagem'  na Rádio Ourique. 

O seu mais recente livro, 'Cartas da Mancha', foi publicado na CanalSonora em 2018. Vai estar à conversa em direto com João Pereira, na rubrica  'Estado de Arte', a falar sobre si e a sua escrita.

1081041_10200564762823010_682819580_n.jpg                                                                                                                                                foto ~ Jorge Jubilot

 

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MARIA AFONSO | na Rádio Ourique

Terça-feira, 19 de maio, às 21h30, Maria Afonso é a convidada do programa 'Estado de Arte', na Rádio Ourique. 

A autora que publicou na CanalSonora em 2016, o livro (eu diria que nevava), vai estar à conversa em direto, com João Pereira, a falar sobre si e a sua escrita.

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Tapa-Esteiro | Versão Nocturna (pdf)

‘Tapa-Esteiro’, que recolhe textos e fotografias inéditos dos Vários Autores  publicados em nome  próprio na CanalSonora entre 2013 e 2020. 

Aceda aqui à 'VERSÃO NOCTURNA' 21785444_nfl13.jpeg

Apenas olhar é ver menos.

Só sentir é ler pouco.

Simplesmente escutar é ouvir nada.

Com tempo olhar é ver mais.

Deixar-se ficar a sentir é ler muito.

Atentamente escutar é ouvir o máximo.

Tapa-Esteiro | edição pdf disponível

‘Tapa-Esteiro’,  é a mais recente publicação da CanalSonora, que recolhe textos e fotografias inéditos dos Vários Autores  publicados em nome  próprio na CanalSonora entre 2013 e 2020.

 

Aceda aqui à versão pdf de 'Tapa-Esteiro'

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Apenas olhar é ver menos.

Só sentir é ler pouco.

Simplesmente escutar é ouvir nada.

Com tempo olhar é ver mais.

Deixar-se ficar a sentir é ler muito.

Atentamente escutar é ouvir o máximo.

Resenha , de 'Tapa-Esteiro', por Dário Agostinho

No seu blogue foto | grafias  , que devem consultar sempre e não apenas desta vez, Dário Agostinho faz uma enumeração por autor/texto de cada um dos componentes de 'Tapa-Esteiro'...

para «Ler pois, em profundidade e através da espessura das palavras. É assim que se lê muito.»  No entanto no final, falta-nos um desses elementos.

Mas Maria Afonso vem completar a resenha: «Dário Agostinho tem duas armas poderosas na mesma mão. Câmera e palavras. Uma obriga-nos a contemplar, a outra a pintar. Uma parede ao fundo pode ser o movimento de translação a cumprir-se. Sem pontos finais. Os pontos finais interrompem o silêncio. O silêncio é um sopro de poalha. Brilha no sótão. Retarda a imagem e perpetua a palavra.»

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Vários Autores ~ Tapa-Esteiro

‘Tapa-Esteiro’,  é uma edição digital gratuita, disponível no menu do blogue CanalSonora - Recolhe textos e fotografias inéditos dos Vários Autores publicados  em nome  próprio na CanalSonora entre 2013 e 2020.

Um Tapa-Esteiro é uma rede  de cerco, colocada, fixa, sobre estacas cravadas no solo, para apanhar o peixe que corre na vazante da foz de um rio ou pequeno canal. Os peixes, que entre a baixa-mar e a preia-mar tenham penetrado na zona confinada pelo tapa-esteiro são recolhidos na maré seguinte.

'Tapa-Esteiro' engloga ainda a possibilidade de uma edição em papel, sempre privilegiada pela CanalSonora, no seu formato habitual; a apresentação em concerto pelo In Tento Trio, que se encontra a produzir composições, para acompanhar a leitura dos textos agora disponíveis; a edição digital dos temas musicais em plataforma/acesso a anunciar.

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CANALSONORA | ..... sobre ou/e sob

Pedro Jubilot, fala sobre ou/e sob a CanalSonora - este nome, a sua ideia, estética, e independência, - surgida nas margens da Ria Formosa em 2014. Em conversa com a moderadora Adriana Nogueira, no painel sobre edição, no âmbito da sua participação no 1º Encontro de escrita, escritores e editoras do Algarve que decorreu em Estoi, Faro, Portugal, numa inicitiva da Associação Cívica Tomaz Cabreira, em novembro de 2018. A gravação no canal de youtube de José Joaquim Rodrigues, também nos surgiu de surpresa numa pesquisa de rotina. Este video pode conter linguagem, expressões, ou cenas susceptiveis de ferir a sensibilidade de espectadores.

DÁRIO AGOSTINHO | foto | grafias

Editado em outubro de 2018 (cs29),  foto | grafias de Dário Agostinho está agora disponivel em versão digital pdf. O livro pode ser pedido gratuitamente através das páginas de facebook CanalSonora ou do autor

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a fotografia é assim o maior enigma a seguir ao tempo. e por
isso é que é tão difícil explicá-la.